Portugal

Portugal.

10 milhões locais mais 5 milhões lá fora e arrisco-me a dizer 90% a parar quando 11 pessoas do mesmo país se lembram de dar uns pontapés na bola.

Outros lembram-se de colar uns papéis na viatura a promover o uso da mão para utilizar a buzina em protesto contra o aumento do combustivel.  O resultado óbvio é o aumento dos níveis de poluição sonora e o consequente olhar pela janela para verificar a fonte de tão incomodativo ruído.

Outros tantos milhões ligam a TV à hora do jantar e ficam embriagados pelas notícias dos telejornais onde o critério editorial e a qualidade jornalística anda pelas ruas da amargura. Por sorte, a coisa fica restringida a apenas uma hora e meia de um misto de especulação e actualidade.  O brinde fica guardado pelas sugestões de debates onde pseudo-especialistas falam de temas onde os afogamentos de conhecimento são constantes.

Mais umas quantas centenas de milhar tentam encontrar algo para se sentirem úteis durante as 8 horas (ou 7) de horário diário.  A utilidade mede-se no volume de papéis que transportam de um lado para o outro, na quantidade de emails que enviam e no ruído obtuso das constantes conversas de telemóvel. Por definição um ser produtivo em Portugal tem que reunir estas “qualidades”.

Outros tantos tentam encontrar refúgio ou justiça numa dessas casas, denominadas tribunais. Esta é a estranha forma de tocar a orquestra social, ao ritmo de um elefante sonolento. pois a clave da celeridade ainda não chegou às notas dos inúmeros advogados e juízes deste país.

Estranho país este onde vivo. Tudo se queixa e o resultado é tocar uma buzina e ver uma bola a rolar.

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Invicta

Apanho um taxi rumo à minha guarida nortenha no final de um dia de trabalho pelas agradáveis terras do Norte. Do taxista, para além de uns desabafos sobre o estado débil das luzes públicas das ruas de Matosinhos, ainda consegui apanhar um “Isto no tempo de Salazar é que era!”. Afinal não é só em Lisboa que a população taxista relança os tempos salazaristas. Diz o corolário do acto de “apanhar um taxi” que estes são os melhores taxistas, os que relembram Salazar – rápidos, metem-se com todos e fazem-nos chegar ao destino num ápice. Pude constatar mais uma vez que esta afirmação é verdadeira.

Depois de recordar os meus tempos de Aveiro com uma francesinha bem picante e uma bela cerveja, resolvi ir digerir o manjar com um passeio nocturno. Fiz um pequeno desvio para entrar num centro comercial desta cidade para tentar desencantar uma roupita qualquer engraçada, e dei por mim a assistir a uma conversa alegre mas acessa acesa com uma das figuras “anónimas” mais conhecidas do futebol. Não sei porque nome é conhecido o senhor, mas admirei o traje boavisteiro, que de facto é bem conseguido e mais admirável do que na televisão. Para além do traje, o que me cativou naquele simples momento, foi a facilidade com que outras pessoas entravam na alegre discussão. Não existia o “olhar para o outro lado como se não fosse nada comigo” lisboeta. Acho que se nota uma diferença assinalável na interacção pessoal entre Lisboa e Porto. Talvez algum sociólogo com um tempito disponível passe por este espaço e resolva tentar explicar estas diferenças inegáveis.

Um conciso mau-estar

A SEDES lança uma tomada de posição e toda a comunicação social se verga ao peso da associação fazendo notícia algo que todos os portugueses estão fartos de saber – isto anda mal.

Honestamente, conhecia pouco da SEDES, a não ser que tem algum peso na vida social e politica portuguesa, e resolvi investigar.

De facto, os seus membros, são homens e mulheres com bastante influência (ex: Rui Vilar, Vitor Bento, etc.).

A tomada de posição aborda várias questões:

  • Falhas no sistema político/governo
  • Descredibilização da classe política
  • Peso do estado na sociedade portuguesa
  • Sensacionalismo da comunicação social
  • As falhas na legislação como refúgio para a corrupção
  • Disparidade no excessivo zelo nas forças policiais
  • Desinteresse da sociedade nos mecanismos de governação

Que fique claro que concordo com vários pontos apresentados na tomada de posição da SEDES, mas acho estranho que existam omissões óbvias de problemas graves da sociedade. (saúde, lentidão na justiça, défice na educação, falta de civismo, crescente endividamento das familias, falta de poder de compra, credibilidade do sistema bancário)

Primeiro que tudo, detesto críticas sem soluções. É fácil apontar o dedo, também o posso fazer. Mas longe de mim ter o poder ou a clarividência de apresentar soluções para problemas tão complexos.

Sejamos pragmáticos, eu ou um humilde leitor deste blog só tem poder na esfera das suas decisões e actos. A SEDES com os seus membros viaja numa esfera fora do universo do comum dos portugueses, daí se ter aproveitado do sensaciolismo da comunicação social para fazer manchete em todos os telejornais. Tendo consciência do relevo que esta tomada de posição iria ter, deveria se ter debruçado sobre os vários problemas que afectam a sociedade e não apenas alguns e talvez apresentar algumas soluções (se existem deveriam também ter sido expostas na comunicação social). Sempre fui da opinião que a lentidão da justiça portuguesa com todos os recursos existentes e infidável número de tribunais de segunda, terceira ou vigésima nona instância são um dos piores problemas da nossa sociedade.

Um país onde os tribunais tendem em demorar anos para resolver míseros problemas ou disputas, não pode funcionar devidamente. Vivemos em sociedade e temos que ter leis que nos orientem no nosso caminho. Se a justiça fosse célere nas decisões e os resultados não fossem tão levianos, não teríamos com toda a certeza, os vários problemas (leia-se corrupção, conflicto de interesses) que existem actualmente.

Os portugueses gostam (eu incluído) de apontar o dedo, julgar sem olhar ao todo das provas e a própria comunicação social aproveita-se disso, informando apenas o que interessa.

Como aproveitar o escárnio e mal dizer do povo português para um fim positivo para a sociedade? Aceitam-se sugestões, mas eu já tenho uma ideia e em breve irei colocá-la, finalmente, em prática…