A pequena aldeia

Lá longe no meio de uma floresta extensa enfiada entre umas altas montanhas existia uma aldeia onde habitava uma tribo de indigenas. Estes desconhecedores da civilização distante viviam descansadamente na sua aldeia, onde tinham a companhia do rio e o conforto das suas cabanas.  Como sociedade organizada que eram cada um tinha funções distintas, desde os caçadores, agricultores, pescadores, lenhadores,  bruxos que curavam todos os males, mães que cuidavam dos filhos incautos, ao conselho de chefia da tribo. A tribo era bastante numerosa, tendo na altura do relato desta história cerca de quinhentos felizes habitantes.

As transações comerciais na aldeia eram realizadas com pequenas conchas raras que eram dificilmente encontradas ao longo do leito do rio.  Se uma mãe necessitasse de alguma carne para alimentar a familia, falava com um dos caçadores que prontamente lhe fornecia uma boa lebre em troca de uns conchas.  Ou se o filho estivesse adoentado, um dos três bruxos existentes tratava rapidamente do assunto em troca de umas conchas. Os tempos corriam bem e toda a aldeia andava feliz pois os caçadores tinham lebres para caçar, os agricultores recolhiam bastante alimento das suas terras, as mães tratavam dos seus filhos e o conselho de chefia não tinha grandes problemas para resolver.

Certo dia, uma das aldeias vizinhas estabeleceu um acordo com os chefes da nossa aldeia. Essa aldeia vizinha tinha bastante campos para cultivar e tinha cereais em excesso.  A ideia dos vizinhos era fornecer alimento em troca de algumas conchas, libertando os agricultores desse trabalho árduo que era cultivar cereais e derivados. Os chefes da nossa aldeia acharam a ideia extraordinária, pois poderiam dizer aos agricultores para irem fazer outras coisas mais interessantes como por exemplo pescar ou caçar. E para além disso eram necessárias menos conchas na troca com os vizinhos do que obter os mesmo cereais localmente.

 

A aldeia vivia momentos de verdadeira expansão, pois eram necessárias poucas conchas para os cereais e as pessoas podiam trocar as restantes por carne e peixe. As pessoas alimentavam-se melhor e as familias eram cada vez mais numerosas.

Os bruxos que, apesar de estarem ligados a outros mundos,  gostavam de conchas, acharam que também poderiam beneficiar. Acordaram entre si pedir um número minimo de conchas às pessoas pelas suas bruxarias e chás de ervas.  Como ser bruxo era muito difícil, pois tinha que se fazer grandes expedições e estar fora nas montanhas durante muito tempo ninguém na aldeia se opôs. Ninguém queria irritar os bruxos

Com o passar do tempo e com tanto caçador e pescador as lebres e os peixes começaram a escassear e eram necessárias muitas conchas para os comprar.  Os caçadores e pescadores revoltados e frustados foram ter com os sábios chefes à procura de respostas. Rapidamente os chefes resolveram o assunto com a sua imensa sabedoria,  e estabeleceram um acordo com outra aldeia vizinha para o fornecimento de carne e peixe por poucas conchas.  Ordenaram aos caçadores e pescadores para irem construir cabanas para as pessoas pois existia muito boa gente que dormia à chuva.

A ordem foi seguida e muitas cabanas foram construídas expandido a aldeia no seu tamanho. No entanto, as pessoas não tinham conchas para dar aos lenhadores e construtores de cabanas, pois estavam a dar as que tinham para as aldeias vizinhas em troca de comida. E os lenhadores não conseguiam arranjar comida pois não conseguiam trocar as cabanas por conchas.

Os chefes acharam que tinham um problema. As pessoas não tinham conchas para comprar as cabanas e muitas continuam a viver à chuva. Depressa deixariam de ter conchas para comprar alimento às aldeias vizinhas.

Até que um dos chefes teve uma brilhante ideia. Porque não pedir muitas conchas às aldeias vizinhas agora e depois devolveriam o dobro uns anos mais tarde? Poderiam até dar as conchas às pessoas. Mas estas teriam que as devolver depois gradualmente ao longo do tempo. A ideia não poderia ser melhor. E assim foi.

As pessoas estavam contentes pois podiam pedir conchas aos chefes e trocar por cabanas e comida. Os lenhadores e construtores também já tinham conchas para comprar comida às aldeias vizinhas. Cada vez que era necessário mais conchas na aldeia, pois estas teimavam em desaparecer para as aldeias vizinhas, os chefes pediam mais uma remessa aos seus vizinhos. Todas as pessoas estavam contentes.

Até que um dia as aldeias vizinhas se fartaram e pediram as conchas de volta mais aquelas que os chefes lhes tinham prometido de compensação.

Ainda continuo a pensar o que será que aconteceu à aldeia…

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Os 5 maiores problemas de Portugal

Para quem não conheça, o Google Trends permite ter acesso ao número de pesquisas de uma determinada palavra, e adicionalmente tentar correlacionar com o número de notícias que o “todo-o-poderoso” Google detecta. Seleccionei alguns temas e tentei verificar o número pesquisas vs o número de noticias.

google trends - top 5 problemas

Na parte de cima temos o número de vezes que a palavra alvo de uma pesquisa. Na parte inferior o volume de noticias associado à palavra. E o que observações se podem retirar destes gráficos?

O sexo é sem dúvida alguma a palavra mais pesquisada, logo do maior interesse dos portugueses Isto será um item a explorar por algum líder partidário nas próximas eleições legislativas. No entanto, o volume de pesquisas tem vindo a decair desde o inicio de 2007, que mostra algo que tinha sido analisado pelo D. José. Policarpo. De salientar que é das poucas palavras em que o volume tem o aumento significativo perto do final de ano (ao contrário dos outros temas). Penso que isto quererá dizer que muitas pessoas vão para a passagem de ano com mais que 12 desejos.

No volume de pesquisas a educação e o futebol mostram uma forte correlação (talvez só a partir de 2006), como se estivessem intimamente ligados. Este facto está a ser analisado por um comité especial criado pelo Ministério da Educação e pela Federação Portuguesa de Futebol. Isto só demonstra que os portugueses pensam que o futebol é a melhor educação para os seus filhos. Eu sou da mesma opinião, planear uma reforma dourada desde a tenra idade dos putos – assim não é necessário recorrer a novos mecanismos artificiais de incentivo à reforma.

O crime e a saúde são temas pouco procurados pelos portugueses. Basicamente, não queremos ser criminosos nem saber como se opera um coração.

O crime apresenta o maior volume (destacado!) de notícias e tem tendência crescente. Daí a PJ ter realizado uma reunião de trabalho extraordinário. O problema não é o crime, é o crescente volume de notícias sobre crime… Reparei nisso, quando num jornal da RTP do Sábado foi visível algo como: 3 noticias nacionais sobre criminalidade + 2 noticias internacionais sobre violência. Mesmo o espectador menos atento, não fica indiferente a este tipo de sequência noticiosa. Estranha a percepção humana, não é?