Tomem lá umas barritas de ouro

Esta história do rating da Standard & Poor’s que olhou para o que andamos a fazer com o dinheiro emprestado e para a nossa capacidade de pagar, fez-me lembrar a história da aldeia que já por aqui contei. Nesta aldeia podia-se comprar tudo e mais alguma coisa recorrendo a conchas (algo real). Hoje em dia as coisas não são bem assim e o que interessa é mesmo a dívida. A dívida gera e vale dinheiro.  (Para quem tiver mais interesse neste assunto sugiro ver os filmes do Money as Debt e o mais recente Money as Debt II)

Existem pessoas que defendem que deveríamos retornar ao standard das reservas de ouro. Ou seja, cada país só conseguiria emitir dinheiro conforme as suas reservas do metal precioso. E nós Portugal, temos ouro? Temos e até é um número de barritas engraçado. Somos o 14º país com maior quantidade de reservas no mundo, com umas belas 382.5 toneladas. Arrumamos Espanha,Reino Unido, Canadá, Brasil a um canto e estamos bem à frente dos tais gregos.

Então, somos ricos?

@ Boston The Picture

Claro! Temos que fazer umas contas, sabendo que uma tonela de ouro são 32 000 onças e que a a dita cuja está hoje 1168$/oz e convertendo para euros:

Portugal – 10,9 mil milhões de euros

Espanha – 8,0 mil milhões de euros

Grécia – 3.2 mil milhões de euros

Vá, agora ide colocar o rating de Portugal no máximo que a gente manda umas barritas.

Base de dados Portugal Contemporâneo

Há algum tempo António Barreto prometia disponibilizar dados sobre Portugal, nasceu hoje o Pordata. Uma ferramenta que permite aceder a dados estatísticos sobre os mais variados temas em tempo real. Trata-se de um projecto ambicioso que segundo os mentores do projecto terá três fases – 1ª Portugal, 2ª paíse da UE 27, 3ª regiões e municípios portugueses.

Muitos dados se encontram  no site, que converge para um único sitio coisas que andavam dispersas por muitos outros cantos.  Excelente oportunidade para aplicar ferramentas de visualização e relacionar vários factores a nível da sociedade portuguesa. Os dados estão lá, agora só falta que cidadãos mais atentos se debrucem um pouco sobre os mesmos.

Beleza na assembleia da república

Ultimamente tenho me afastado um pouco dos assuntos do país para bem da minha sanidade mental.  Porque assola-me e a ideia que sempre que se fala um pouco sobre nós e da situação actual, as pessoas ficam incediadas e à nossa volta cospem-se palavras críticas. Parece que uma tristeza profunda e inerte percorreu Portugal inteiro e, sem saber como mudar, olhamos para o circo noticioso alimentado por um sem número de actores com notas a sair dos bolsos do casaco.

Tomei realmente consciência da realidade da nossa condição económica e social quando comecei a esgravatar para obter dívidas e despesas de Portugal para juntar ao meu exercício de visualizar o orçamento de estado.  Espero que em breve ganhe coragam para continuar esse trabalho, porque  tenho receio do que possa vir a descobrir mais.

Ou não?

O trabalho de investigação da divída pública divergiu um pouco do normal e dei por mim na página de deputados da Assembleia da República. Tudo porque recebi um email com uma fotografia de uma deputada bastante peculiar. A demanda de hoje foi encontrar o Top 6 das deputadas giras da nossa assembleia:

TOP 6 – Deputadas portuguesas XI Legislatura

Disclaimer: Esta avaliação foi realizada com fins meramente lúdicos e não tem o intuito de ofender qualquer representante do povo na Assembleia da República.  Transparece apenas a opinião pessoal do autor deste blog com base em fotografias e/ou videos dos intervenientes. Não pretende, de forma alguma, ser desprestigiante para as deputadas envolvidas, pois com certeza este não é o mais importante atributo de um deputado. Todos os direitos das fotos pertencem aos respectivos autores.

1- Francisca Almeida

Francisca Almeida

Círculo eleitoral: Braga

Partido: PSD

Data de Nascimento: 06-11-1983

Faltas em sessões plenárias: zero

Estado Civil:  Solteira

Relevo nas notícias:  Preço de tratamento de efluentes

Página A.R. Entrevista Video (?) – em alternativa Twitter (?)

2-Sofia Cabral

Sofia Cabral

Círculo Eleitoral: Setúbal

Partido: PS

Data Nascimento: 13-02-1978

Faltas em sessões plenárias: zero

Estado civil: Divorciada

Relevo nas notícias: Decotes

Página A.R. Entrevista Video Twitter(?)

3 -Vânia Jesus

Vânia Jesus

Vânia Jesus

Círculo eleitoral: Funchal

Partido: PSD

Data de nascimento:17-01-1979

Faltas em sessões plenárias: zero

Estado Civil:Solteira

Relevo nas notícias:  Endividamento da Madeira

Página A.R. Entrevista Video Twitter

4-Rita Rato

Rita Rato

Rita Rato

Círculo eleitoral: Lisboa

Partido: PCP

Data de nascimento: 05-01-1983

Faltas em sessões plenárias: zero

Estado Civil:Solteira

Relevo nas notícias: Violência no namoro, transportes em Coimbra e saquetas de chá

Página A.R. Entrevista Video Twitter(?) – em alternativa

5-Ana Drago

Ana Drago

Ana Drago

Círculo Eleitoral: Lisboa

Partido: BE.

Data de nascimento: 28-08-1975

Faltas em sessões plenárias: zero

Estado Civil: Solteira

Relevo nas notícias:  Professores e casamento gay

Página A.R. Entrevista Video Twitter(?)

6-  Rita Calvário

Rita Calvário

Rita Calvário

Círculo Eleitoral: Lisboa

Partido:BE

Data Nascimento: 09-02-1978

Faltas em sessões plenárias: zero

Estado Civl: Solteira

Relevo nas notícias: Co-Incineração em Souselas e produtos portugueses nas cantinas

Página A.R. Entrevista Video Twitter

Portugal visualizado

Inspirado pelo site Information is Beautiful, onde David McCandless nos presenteia com várias formas de visualizar informação resolvi tirar alguns minutos e experimentar fazer algo semelhante. O objectivo era pegar numa pequena parte do nosso orçamento de estado (receitas fiscais) e visualizá-las. Deixo o resultado.

visualização do orçamento português

As fontes podem ser consultadas neste ficheiro, onde fui colocando mais alguns dados relativos à segurança social.

Barómetro democrático

Desenvolvido e/ou adaptado(?) pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa a Bússola Eleitoral apresenta-nos uma série de questões actuais onde poderemos fornecer a nossa opinião (acordo ou disacordo). No final somos brindados com o mapa partidário português e o nosso respectivo posicionamento político. É experimentar e talvez haja algumas supresas.

Acredita Portugal

O nome talvez não seja o melhor. Eu mudava o “acredita” por um “acorda”, mas estes senhores pretendem desenvolver e reforçar a confiança dos Portugues. Eis os objectivos de tão nobre associação:
1) Fomentar uma atitude positiva, criando um espaço para a formulação de projectos/sonhos e para a decisão informada de persegui-los.
2) Estimular a capacidade empreendedoras dos Portugueses, apoiando a realização de seus projectos.

Pois bem, o prometido é devido, José Miguel Queimado, depois de percorrer Portugal resolveu lançar o concurso Realiza o teu sonho. É fácil de participar, basta apenas enviar qual era o nosso sonho. Bem, não custar tentar..

A associação acredita em espiríto positivo contra o pessimismo instaurado em nós portugueses. Para isso até alguém já se lembrou de desenvolver um plugin para o Firefox de modo a substituir a palavra “crise” por “oportunidade”.

O prelúdio branco

Evoluçao desde 1975 da variação da abstenção, número de votos brancos e votos nulos em Portugal (em percentagem):

Variação (%) da evolução de votos e abstenção nas legislativas em Portugal

Evolução (%) da variação de votos e abstenção nas legislativas em Portugal

Conclusões rápidas:

  • A abstenção tem subido sempre até 2005, onde verifica pela primeira vez um decréscimo (1)
  • O número de votos brancos quase que duplicou em 2005 (2)

Nota: só existe contabilização do voto branco desde 1979

(1) – Estamos a ficar mais responsáveis socialmente? 3 milhões de pessoas que não votam.

(2) – Crescimento de 87%. São mais de 1035 37 pessoas a votar em branco. Era como se toda a cidade de Braga decidisse não colocar um cruz po algum motivo.

A pequena aldeia

Lá longe no meio de uma floresta extensa enfiada entre umas altas montanhas existia uma aldeia onde habitava uma tribo de indigenas. Estes desconhecedores da civilização distante viviam descansadamente na sua aldeia, onde tinham a companhia do rio e o conforto das suas cabanas.  Como sociedade organizada que eram cada um tinha funções distintas, desde os caçadores, agricultores, pescadores, lenhadores,  bruxos que curavam todos os males, mães que cuidavam dos filhos incautos, ao conselho de chefia da tribo. A tribo era bastante numerosa, tendo na altura do relato desta história cerca de quinhentos felizes habitantes.

As transações comerciais na aldeia eram realizadas com pequenas conchas raras que eram dificilmente encontradas ao longo do leito do rio.  Se uma mãe necessitasse de alguma carne para alimentar a familia, falava com um dos caçadores que prontamente lhe fornecia uma boa lebre em troca de uns conchas.  Ou se o filho estivesse adoentado, um dos três bruxos existentes tratava rapidamente do assunto em troca de umas conchas. Os tempos corriam bem e toda a aldeia andava feliz pois os caçadores tinham lebres para caçar, os agricultores recolhiam bastante alimento das suas terras, as mães tratavam dos seus filhos e o conselho de chefia não tinha grandes problemas para resolver.

Certo dia, uma das aldeias vizinhas estabeleceu um acordo com os chefes da nossa aldeia. Essa aldeia vizinha tinha bastante campos para cultivar e tinha cereais em excesso.  A ideia dos vizinhos era fornecer alimento em troca de algumas conchas, libertando os agricultores desse trabalho árduo que era cultivar cereais e derivados. Os chefes da nossa aldeia acharam a ideia extraordinária, pois poderiam dizer aos agricultores para irem fazer outras coisas mais interessantes como por exemplo pescar ou caçar. E para além disso eram necessárias menos conchas na troca com os vizinhos do que obter os mesmo cereais localmente.

 

A aldeia vivia momentos de verdadeira expansão, pois eram necessárias poucas conchas para os cereais e as pessoas podiam trocar as restantes por carne e peixe. As pessoas alimentavam-se melhor e as familias eram cada vez mais numerosas.

Os bruxos que, apesar de estarem ligados a outros mundos,  gostavam de conchas, acharam que também poderiam beneficiar. Acordaram entre si pedir um número minimo de conchas às pessoas pelas suas bruxarias e chás de ervas.  Como ser bruxo era muito difícil, pois tinha que se fazer grandes expedições e estar fora nas montanhas durante muito tempo ninguém na aldeia se opôs. Ninguém queria irritar os bruxos

Com o passar do tempo e com tanto caçador e pescador as lebres e os peixes começaram a escassear e eram necessárias muitas conchas para os comprar.  Os caçadores e pescadores revoltados e frustados foram ter com os sábios chefes à procura de respostas. Rapidamente os chefes resolveram o assunto com a sua imensa sabedoria,  e estabeleceram um acordo com outra aldeia vizinha para o fornecimento de carne e peixe por poucas conchas.  Ordenaram aos caçadores e pescadores para irem construir cabanas para as pessoas pois existia muito boa gente que dormia à chuva.

A ordem foi seguida e muitas cabanas foram construídas expandido a aldeia no seu tamanho. No entanto, as pessoas não tinham conchas para dar aos lenhadores e construtores de cabanas, pois estavam a dar as que tinham para as aldeias vizinhas em troca de comida. E os lenhadores não conseguiam arranjar comida pois não conseguiam trocar as cabanas por conchas.

Os chefes acharam que tinham um problema. As pessoas não tinham conchas para comprar as cabanas e muitas continuam a viver à chuva. Depressa deixariam de ter conchas para comprar alimento às aldeias vizinhas.

Até que um dos chefes teve uma brilhante ideia. Porque não pedir muitas conchas às aldeias vizinhas agora e depois devolveriam o dobro uns anos mais tarde? Poderiam até dar as conchas às pessoas. Mas estas teriam que as devolver depois gradualmente ao longo do tempo. A ideia não poderia ser melhor. E assim foi.

As pessoas estavam contentes pois podiam pedir conchas aos chefes e trocar por cabanas e comida. Os lenhadores e construtores também já tinham conchas para comprar comida às aldeias vizinhas. Cada vez que era necessário mais conchas na aldeia, pois estas teimavam em desaparecer para as aldeias vizinhas, os chefes pediam mais uma remessa aos seus vizinhos. Todas as pessoas estavam contentes.

Até que um dia as aldeias vizinhas se fartaram e pediram as conchas de volta mais aquelas que os chefes lhes tinham prometido de compensação.

Ainda continuo a pensar o que será que aconteceu à aldeia…

Transparência

Hoje através do blog do Carlos Andrade, descobri uma verdadeira pérola da ANSOL, chama-se Transparência na AP.

O serviço disponibilizado faz uso da informação disponível no BASE – Contratos públicos online, onde é possível visualizar dados relativos a adjudicações directas das entidades públicas a outras entidaes. Como referido no Transparência na AP:

Esta é uma proposta da Associação Nacional para o Software Livre (ANSOL) para apoiar a transparência na administração pública portuguesa.

Foi desenvolvido para resolver as muitas dificuldades com a pesquisa e navegação no sítio oficial Base. A informação aqui presente é uma cópia da informação oficial actualizada periodicamente e disponibilizada através de um interface que facilita e incentiva a procura. De momento apenas pesquisa pelo objecto e nomes das entidades envolvidas nos Ajustes Directos lá publicados.

Um verdadeiro serviço público que supera em muito a usabilidade do site original e descobrimos verdadeiros tesouros e onde se levantam muitas questões. Como por exemplo que a Câmara de Loures gastou 652 300€ em vinho tinto e branco. Podemos também elaborar uma pesquisa pelos gastos por municipio, como o de Pombal, ou saber que a Câmara de Estremoz gastou quase 2 milhões de euros em luzes de Natal. Algo me diz que isto ainda vai dar que falar…

Update:  Os minutos passam e ainda descubro coisas inacreditáveis – Municipio de de Vale de Cambra compra viatura ligeira de mercadorias pela quantia de 1 236 000€ (sim… um milhão..) – mais descobertas aqui.

Update (16-Jan): E finalmente o saíu cá para fora.

O ser português e a avaliação…

…dos professores, dos advogados, dos engenheiros, dos médicos, dos economistas, dos mecânicos, dos dentistas, dos canalizadores, dos controladores aéreos, dos … o que mais a imaginação se conseguir recordar. Mas sendo este um tema corrente, nada melhor do que virar especialista como todos os portugueses são quando um tema causa polémica e faz manchete em tudo o que é jornal. É um facto incontestável! Apesar de pouco ou nada sabermos do tema, a não ser aquilo o que a comunicação social vomita cá para fora, viramos “experts” na matéria, verdadeiros doutorados no assunto, e conseguimos rapidamente apresentar uma solução fantástica que resolve todos os problemas. Afinal, somos portugueses e isto é uma das coisas que fazemos bem: apontar o dedo, encontrar defeitos e apresentar soluções milagrosas.

Não me entendam mal eu não o considero um defeito mas sim uma qualidade extrema e rara na sociedade mundial de hoje em dia. Somos uns verdadeiros ases em pegar num mapa incompleto e apontar o caminho a seguir. Por vezes fico a pensar como é que os receptores GPS têm tanta adesão no mercado luso. Não se entende, os portugueses não necessitam de orientação.

A natureza do nosso povo e esta qualidade natural leva a que facilmente sejamos manipuláveis. Basta aparecerem duas ou três notícias sobre o crime organizado num dia e no outro, na rua não se fala de outra coisa. Os dedos saem do bolso e disparam em vários culpados. Um português no topo, levado pelo mapa incompleto do crime organizado, apresenta soluções rápidas que embatem nas inúmeras outras ideias que circulavam na opinão pública.  O problema é remendado com um penso rápido. Ninguém mais fala do assunto até que algo aconteça.

No início deste artigo queria falar da avaliação dos professores, agora não tenho coragem para fornecer um penso rápido à solução depois do que escrevi. Consigo encontrar soluções é um facto, tal como os inúmeros portugueses que pensaram um pouco no assunto. Mas pensando bem, acho que apenas estou como sempre e como quase todos… mal informado e manipulado pela comunicação social.

Porque no final de tudo, apesar dos vários canais, jornais, rádios, o tempo de antena é sempre ocupado pelos mesmos, as visões de cada um tornam-se rotineiras, não existem novos rumos e tudo parece ser discutido dentro de um grupo de amigos…