Invicta

Apanho um taxi rumo à minha guarida nortenha no final de um dia de trabalho pelas agradáveis terras do Norte. Do taxista, para além de uns desabafos sobre o estado débil das luzes públicas das ruas de Matosinhos, ainda consegui apanhar um “Isto no tempo de Salazar é que era!”. Afinal não é só em Lisboa que a população taxista relança os tempos salazaristas. Diz o corolário do acto de “apanhar um taxi” que estes são os melhores taxistas, os que relembram Salazar – rápidos, metem-se com todos e fazem-nos chegar ao destino num ápice. Pude constatar mais uma vez que esta afirmação é verdadeira.

Depois de recordar os meus tempos de Aveiro com uma francesinha bem picante e uma bela cerveja, resolvi ir digerir o manjar com um passeio nocturno. Fiz um pequeno desvio para entrar num centro comercial desta cidade para tentar desencantar uma roupita qualquer engraçada, e dei por mim a assistir a uma conversa alegre mas acessa acesa com uma das figuras “anónimas” mais conhecidas do futebol. Não sei porque nome é conhecido o senhor, mas admirei o traje boavisteiro, que de facto é bem conseguido e mais admirável do que na televisão. Para além do traje, o que me cativou naquele simples momento, foi a facilidade com que outras pessoas entravam na alegre discussão. Não existia o “olhar para o outro lado como se não fosse nada comigo” lisboeta. Acho que se nota uma diferença assinalável na interacção pessoal entre Lisboa e Porto. Talvez algum sociólogo com um tempito disponível passe por este espaço e resolva tentar explicar estas diferenças inegáveis.