A pequena aldeia – II

Sinopse: Lá longe da civilização moderna, no meio de uma floresta extensa enfiada entre umas altas montanhas existia uma aldeia onde habitava uma tribo de indigenas. Tinha pouco mais de quinhentos habitantes e as transações comerciais na aldeia eram realizadas com pequenas conchas raras que eram dificilmente encontradas ao longo do leito do rio e existiam alguns problemas sociais e de planeamento da sua população. Numa busca de resolver os problemas que daí derivaram, recorreu-se ao empréstimo de conchas de aldeias vizinhas. Conchas essas que mais tarde os vizinhos exigiram devolução… A aldeia tinha um grave problema para resolver.

O conselho da aldeia reuniu-se para analisar a delicada situação durante vários dias fechado dentro de uma grandiosa casa de palha. Por fim, saiu o chefe da aldeia e chamou toda a população para os informar das más notícias.

– Amigos e amigas, a aldeia do norte  exigiu-nos de volta as conchas que nos haviam emprestado. A situação é aborrecida pois não temos muitas conchas. No entanto, o nosso grandioso conselho conseguiu negociar com os nossos irmãos. Acordamos em devolver as conchas de lua cheia em lua cheia, em pequenas partess. No entanto, disseram  que não nos emprestam mais nenhuma.

As conchas eram bastante raras e difíceis de arranjar. A população atenta logo perguntou como iria arranjar conchas para se governar no dia a dia e fazer as suas compras habituais, como comprar uns coelhos ou umas lebres.

Amigos, não se preocupem. O nosso grandioso conselho conseguiu negociar com os outros nossos irmãos da aldeia do sul. Estes emprestam-nos muitas conchas que também que teremos de devolver a dobrar, por partes, de lua cheia em lua cheia.

Os indígenas aplaudiram o seu chefe contentes. Parecia uma óptima solução pois podiam continuar como sempre. Os caçadores já não caçavam, os agricultores já não cultivavam e as cabanas floresciam por haver tanta gente a querer um sitio para viver. As pessoas viviam melhor pois os cereais, carne e peixe vinham das aldeias vizinhas por poucas conchas.  Após os aplausos o chefe, com uma voz mais séria, acrescentou:

– No entanto amigos, para conseguirmos devolver as conchas às aldeias vizinhas, por cada troca que fizerem o conselho de aldeões terá que ficar com 3 conchas por cada 1 que gastarem.  Não se preocupem! Fizemos as contas, e tudo ficará como sempre.

De pé, os indígenas aplaudiram mais uma vez o conselho dos chefes, pois só eles tinham estas ideias sensatas e audazes. Sempre foi assim ao longo dos tempos e sempre será. E também porque lhes garantiram que tudo ficará bem como sempre.

Poucos dias passsaram depois das boas notícias e pela aldeia fora ouviam-se conversas de índigenas que já não tinham conchas para comprar alguma comida. Alguns até emprestavam conchas a outros e exemplificavam o conselho de aldeões pedindo o dobro de lua cheia em lua cheia por partes.

Cedo o conselho se apercebeu que as conchas escasseavam. E apressou-se a fazer outro acordo com outra aldeia vizinha. Quando as conchas teimavam em desaparecer ou era a aldeia ao lado ou a do outro lado da montanha ou a que demonstra-se mais disposição de emprestar conchas.

Por fim, acabaram-se os vizinhos para negociar.

Ainda continuo a pensar o que será que aconteceu à aldeia…

A pequena aldeia

Lá longe no meio de uma floresta extensa enfiada entre umas altas montanhas existia uma aldeia onde habitava uma tribo de indigenas. Estes desconhecedores da civilização distante viviam descansadamente na sua aldeia, onde tinham a companhia do rio e o conforto das suas cabanas.  Como sociedade organizada que eram cada um tinha funções distintas, desde os caçadores, agricultores, pescadores, lenhadores,  bruxos que curavam todos os males, mães que cuidavam dos filhos incautos, ao conselho de chefia da tribo. A tribo era bastante numerosa, tendo na altura do relato desta história cerca de quinhentos felizes habitantes.

As transações comerciais na aldeia eram realizadas com pequenas conchas raras que eram dificilmente encontradas ao longo do leito do rio.  Se uma mãe necessitasse de alguma carne para alimentar a familia, falava com um dos caçadores que prontamente lhe fornecia uma boa lebre em troca de uns conchas.  Ou se o filho estivesse adoentado, um dos três bruxos existentes tratava rapidamente do assunto em troca de umas conchas. Os tempos corriam bem e toda a aldeia andava feliz pois os caçadores tinham lebres para caçar, os agricultores recolhiam bastante alimento das suas terras, as mães tratavam dos seus filhos e o conselho de chefia não tinha grandes problemas para resolver.

Certo dia, uma das aldeias vizinhas estabeleceu um acordo com os chefes da nossa aldeia. Essa aldeia vizinha tinha bastante campos para cultivar e tinha cereais em excesso.  A ideia dos vizinhos era fornecer alimento em troca de algumas conchas, libertando os agricultores desse trabalho árduo que era cultivar cereais e derivados. Os chefes da nossa aldeia acharam a ideia extraordinária, pois poderiam dizer aos agricultores para irem fazer outras coisas mais interessantes como por exemplo pescar ou caçar. E para além disso eram necessárias menos conchas na troca com os vizinhos do que obter os mesmo cereais localmente.

 

A aldeia vivia momentos de verdadeira expansão, pois eram necessárias poucas conchas para os cereais e as pessoas podiam trocar as restantes por carne e peixe. As pessoas alimentavam-se melhor e as familias eram cada vez mais numerosas.

Os bruxos que, apesar de estarem ligados a outros mundos,  gostavam de conchas, acharam que também poderiam beneficiar. Acordaram entre si pedir um número minimo de conchas às pessoas pelas suas bruxarias e chás de ervas.  Como ser bruxo era muito difícil, pois tinha que se fazer grandes expedições e estar fora nas montanhas durante muito tempo ninguém na aldeia se opôs. Ninguém queria irritar os bruxos

Com o passar do tempo e com tanto caçador e pescador as lebres e os peixes começaram a escassear e eram necessárias muitas conchas para os comprar.  Os caçadores e pescadores revoltados e frustados foram ter com os sábios chefes à procura de respostas. Rapidamente os chefes resolveram o assunto com a sua imensa sabedoria,  e estabeleceram um acordo com outra aldeia vizinha para o fornecimento de carne e peixe por poucas conchas.  Ordenaram aos caçadores e pescadores para irem construir cabanas para as pessoas pois existia muito boa gente que dormia à chuva.

A ordem foi seguida e muitas cabanas foram construídas expandido a aldeia no seu tamanho. No entanto, as pessoas não tinham conchas para dar aos lenhadores e construtores de cabanas, pois estavam a dar as que tinham para as aldeias vizinhas em troca de comida. E os lenhadores não conseguiam arranjar comida pois não conseguiam trocar as cabanas por conchas.

Os chefes acharam que tinham um problema. As pessoas não tinham conchas para comprar as cabanas e muitas continuam a viver à chuva. Depressa deixariam de ter conchas para comprar alimento às aldeias vizinhas.

Até que um dos chefes teve uma brilhante ideia. Porque não pedir muitas conchas às aldeias vizinhas agora e depois devolveriam o dobro uns anos mais tarde? Poderiam até dar as conchas às pessoas. Mas estas teriam que as devolver depois gradualmente ao longo do tempo. A ideia não poderia ser melhor. E assim foi.

As pessoas estavam contentes pois podiam pedir conchas aos chefes e trocar por cabanas e comida. Os lenhadores e construtores também já tinham conchas para comprar comida às aldeias vizinhas. Cada vez que era necessário mais conchas na aldeia, pois estas teimavam em desaparecer para as aldeias vizinhas, os chefes pediam mais uma remessa aos seus vizinhos. Todas as pessoas estavam contentes.

Até que um dia as aldeias vizinhas se fartaram e pediram as conchas de volta mais aquelas que os chefes lhes tinham prometido de compensação.

Ainda continuo a pensar o que será que aconteceu à aldeia…