Forças de emergência controlam circo

Andava farto de ter a porcaria de uma lâmpada fundida na cozinha e resolvi dar um salto ao Aki para recolocar os níveis de stock das ditas.  Eis que chego perto da Gare do Oriente e verifico que uma das rotundas tinha uns carros da PSP atravessados.  A situação não era normal e pensei que deveria ter havido algum acidente, mas quando viro o carro em direcção ao meu destino dou de caras com um desfile de carros parados, também este anormal.

Ao longe vejo mais umas sirenes azuis e verifiquei que a estrada do outro lado estava vazia de carros. De facto, eram só ambulâncias do INEM que as percorriam. O estratagema montado pelas forças de emergência estava de facto bem montado, pois vim a descobrir a seguir que uma das bancadas do circo tinha caído e os feridos ainda eram bastantes. Felizmente tudo aparenta que não tenham existido feridos graves.  As faixas rodoviárias para o local do acidente estavam cortadas e eram eixos de emergência ao dispor das ambulâncias e de outros veículos. É bom observar quando as coisas aparentemente funcionam, tanto mais quando o cenário e local de emergência são novos. Kudos INEM/PSP!

Anúncios

Abril em Londres

A abertura do mês de Abril não poderia ter sido mais agradável. Depois de um voo a bordo da Easyjet, chegámos ao aeroporto de Luton onde se facilmente chega a Londres via autocarro (~60 min).  O destino era Victoria Station, a principal estação de Londres. Depois de uma breve caminhada de descoberta, onde foi possível descobrir o caminho mais longo entre dois pontos, o hotel apareceu quase no fim da Warwick Street. De notar que o alojamento em Londres é bastante caro para quem faz as coisas à última da hora como eu. Convém precaver este aspecto com alguma antecedência para a carteira não sofrer.  Um assalto rápido à recepção do Hotel e já tinha uns mapas bem mais jeitosos que o guia que levava.  Apesar de já ser um pouco tarde para observar o render da guarda, fomos disparados para o Palácio de Buckingham.

Palácio de Buckingham

Palácio de Buckingham

A caminhada de final de tarde ainda contemplou a observação distante da gigante London Eye. Ainda deu tempo para ficar pouco impressionado com o Big Ben, afinal não é assim tão Big como isso. Foi um excelente passeio que terminou num pub qualquer às 21 e pouco. Talvez um pouco tarde para horas británicas, pois estes senhores enchiam os pubs durante o tarde.

Aproveitando a entrada livre nos museus (excepto exposições temporárias), começamos o dia bem cedo com destino ao British Museum, onde é possível observar o espólio enorme destes británicos. O problema é que a maioria das peças (senão todas) expostas são de outros povos (romanos, gregos, egipcios, etc.). Fiquei a saber que existe algum atrito entre gregos e británicos devido a umas estátuas do Parthenon.  Se todos os povos se lembrarem de pedir tudo de volta, lá se vão as obras do museu. Intrigas à parte, vale bem a pena uma visita.

Depois de passear por Camden Towm e de umas fatias de pizza num quiosque italiano, fugimos daquele sitio assim que notámos que nos absorvia. A tentação para tirar umas libras da carteira era enorme e havia tanto para ver e explorar. Depois da catedral de St.Paul e usando o Travelcard saltámos para um autocarro com rumo à Tower of London. O ar condicionado no veiculo era muito sofisticado resumindo-se à inexistência de porta na entrada/saída.

A torre rodeada de um sem número de muralhas parecia interessante mas ao mesmo ao lado estava a Tower Bridge mortinha por ver os meus pés passar por ela.  Atravessando a ponte mais simbólica de Londres, atravessámos até ao South Bank, percorrendo depois a margem sul do Tamisa. Apesar do destino ser a famosa Tate Modern, era impressionante a quantidade de pequenas coisas com que tropeçávamos pelo caminho. Recordo-me da City Hall, uma pint na esplanada de um pub com uma vista extraordinária, a excursão de italianas que nos rodearam enquanto contemplávamos o Globo de Shakespeare, as escultura de areia que iriam ser engolidas pelo Tamisa em directo, conversas de británicos ao longe a criticar a enchente de turistas só porque a libra está mais barata…

E finalmente a Tate Modern, onde, mais uma vez à borla (afinal é disto que os portugueses gostam) se pode parar em frente a uns Picassos, Pollocks, etc e para finalizar um jantar japonês mesmo à beira rio. Não contentes seguimos até à Piccadily para sentir o pulso à vida nocturna londrina.. e que pulso…

No último dia de Londres foi possível visitar o Natural Museum onde a corrida à parte dos dinossauros por partes dos miúdos britânicos era tal que facilmente se partiu para outras andanças. Foi uma boa decisão, pois mesmo ao lado encontra-se o Science Museum.  É sem dúvida nenhuma uma visita obrigatória, onde se pode observar um sem número de exposições ciêntificas e interactivas extremamente interessantes. Para meu gosto pessoal lá se encontrava o módulo de comando da missão Apollo 10.

Natural History Museum

Natural History Museum

Infelizmente o tempo não era muito e sinto que ficou tanto por explorar naquele sitio cheio de supresas. Depois, seguiu-se uma visita final ao Harrods, onde fiquei intrigado por umas mulheres árabes a fazer umas compras contraditórias com a sua indumentária ao som de uma senhora que cantava ópera lindamente e ao vivo!

De volta a realidade, foi tempo de levantar as malas da Victoria Station e desembolsar 8 libras por cada uma. Este ingleses com a desculpa do terrorismo vão ao bolso das pessoas de uma maneira exagerada. Até nos perdido e achados se pagava umas belas libras para ir buscar o que tinhamos perdido.

Gostei de Londres, é uma cidade bastante fácil de trilhar a pé e com um excelente sistema de transportes onde nos colocamos em qualquer lado facilmente. Embora aquelas estações de metro já devem ter visto melhores dias com toda a certeza.  As 5 libras para entrar na cidade também parecem surtir efeito pois, ao contrário do extremo exemplo de Roma, o barulho do trânsito é nulo e é enorme a quantidade de pessoas na rua.  Uma cidade viva, multicultural à espera de ser mais descoberta. Fiquei com a sensação de ter ainda muito para ver e sentir em Londres. Algo que uma nova visita não resolva 🙂

Planos para 2009

future

Via Gettyimages

  • Mais exercício – Mente sã em corpo são, já dizia um velho sábio.
  • Descobrir ainda mais Lisboa – tanto ainda por explorar …
  • Tirar 10 horas por semana para projectos extra trabalho – coisas que parece que nunca saem do papel
  • Reiniciar o judo ou iniciar uma arte marcial nova – tenho de encontrar um sitio para colocar esta energia extra
  • Aprender uma lingua – ここに行く日本語I

Lanço o desafio de traçar 5 objectivos para 2009 aos seguintes blogs:

Surf no Sofá

Já há bastante tempo que tinha ouvido falar do Couchsurfing. Na grande viagem pelo norte da Europa até tentamos experimentar o sistema em Helsínquia. Não tivemos grande sorte, pois o pedido foi mesmo à última hora. No entanto, o conceito é bastante simples.

No site do Couchsurfing existem inúmeros membros espalhados pelo mundo inteiro que partilham a sua casa com outras pessoas temporiamente (alguns dias). Ou seja, colocam o seu sofá à disposição de viajantes e partilham experiências, ajudam a conhecer a cidade e os seus truques. E o mais importante em si, é possível conhecer pessoas extraordinárias, com vivências tão diferentes e conhecer várias histórias de locais que só ouvimos falar. Outro facto extraordinário é que as comunidades locais são bastante activas. É bastante fácil encontrar um jantar, uma saída de copos ou uma festa enorme como que aí vem (Lisbon Invites You: mais de 250 pessoas de todo o mundo em Lisboa – tudo couchsurfers).

Há pouco resolvi me inscrever a sério, leia-se colocar uma foto, descrever a minha localização, por aí adiante. Mal dei por mim, já tinha um mexicano e uma francesa cá em casa! Foi uma experiência muito enriquecedora e que apela ao nosso sentido de confiar no próximo. Tive a oportunidade de dar um giro por Lisboa à noite, onde, para além de uns copos nos sitíos do costume, mostrei a nossa bela capital pintada de luzes extraordinárias.

O Couchsurfing não é emprestar o nosso sofá. É muito mais que isso.  Não há por aí mais nenhuns novos membros?

A grande viagem – Resumo

Acho que foi na viagem de Colónia (Alemanha) para Lisboa que senti que estava em casa. O ruído português de pessoas a contar a vida na Alemanha era enorme, e a sinfonia era marcada pelo toque desafinado de um puto qualquer a chorar eternamente – sim, estou em Portugal.

A grande aprendizagem que retiro desta viagem é, sem qualquer dúvida, a diferença de comportamentos e atitudes entre os vários povos. É impressionante para o observador que está inundado pela cultura estrangeira verificar como uma linha traçada num mapa pode ditar tantas assimetrias e diferenças. Como é óbvio apenas posso julgar o que vivi e senti nas zonas dos países que visitei.

Noruega: A honestidade e seriedade dos Noruegues teria sérias dificuldades em se manter se este país fosse inundado por turistas portugueses. Penso que esta maneira de viver se pode extender ao resto dos países escandinavos, pois o comportamento era semelhante. No entanto, a sua obsessão por controlar e colocar impostos avassaladores sobre o alcóol, para os olhos de um português, não deixa de ser considerada exagerada.  Será o preço a pagar por uma sociedade onde as profissões que ninguém quer são ocupadas por suecos?

A Noruega tem uma paísagem natural fantástica, sendo os Fjords o seu exponencial máximo. Dado a sua particularidade geográfica, é natural que as pessoas se desloquem de barco entre localidades, sendo os percursos de uma beleza inquietante.  Ouvi que seria um dos países onde a longevidade é mais elevada, e pelo seu tipo de alimentação e hábitos saudáveis, nada deverá ser mais natural. Recordo que num dos percursos pedestres que realizámos por meio de florestas a subir cerca de 400 metros, era natural encontrar alguns noruegueses já de tenra idade a fazer o mesmo.

Apesar de não ser rica em monumentos de meter a máquina fotográfica a disparar constantemente, a Noruega tem um excelente motor de turismo, onde se nota claramente uma aposta em saber receber e promover o que tem de melhor. Lembro-me do posto de turismo em Bergen. Era enorme e muito bem localizado com máquinas de distribuição de senhas que geriam da melhor forma o tipo de informação que o turista pretendia ou até mesmo possibilitar a compra de bilhetes ou excursões.

Suécia (Estocolmo)

Apesar do pouco tempo que passei em Estocolmo consegui patrulhar as partes principais da cidade e os seus principaís monumentos. O tempo ainda permitiu uma visita ao museu do navio Vasa.  Apesar da pouca história do navio (basicamente queriam construir um navio fantástico e grandioso, saíu do estaleiro e passado algumas milhas afundou), conseguiram ter um museu muito bem conseguido. Fiquei muito agradado com a Estocolmo e tive alguma pena de não ter tido mais tempo para visitar outras pormenores que prometiam com mais calma. Talvez numa próxima vez.

Estónia (Tallin)

O tempo era curto e as pernas já cansavam. Restringimos a nossa visita à parte velha de Tallin, pois as suas ruas medievais convidavam a uma caminhada descansada.  A Estónia é um país bastante plano, e verificou-se esse facto na vista que se obtia no ponto mais alto da cidade. A visita à capital da Estónia foi enriquecida com a companhia da Karin, que nos serviu de guia, nos esclareceu diversas questões e deu-nos a oportunidade de experimentar comida tradicional. Tallin pareceu-me uma cidade simpática, e os seus habitantes bastante acolhedores.

Finlândia (Helsínquia)

Tenho de se honesto e admitir que o cansaço nesta parte da viagem se tinha instalado. Foram muitas noites em comboio e barco seguidas e o corpo e a mente pediam um merecido descansado. Helsinquia deu-nos essa hipótese,  o passeio pela cidade revelou-se pouco impressionante e nem uma visita a uma ilha fortaleza nos arregalou os olhos.  Ainda tentámos injectar um interesse histórico adicional nas veias com uma visita ao museu da cidade, mas o esforço foi inglório. Talvez uma próxima visita e com mais dias para visitar o resto do país, pois a capital não faz juz ao seu povo.

Rússia – São Petersburgo e Moscovo

Nada me tinha preparado para o que iria encontrar na Russia. Um país à primeira vista pouco amigável onde a barreira da língua se torna um obstáculo difícil de contornar. São Petersburgo está inundado de história, onde as ruas (prospeckts) são de uma grandeza colossal. Nunca me senti verdadeiramente à vontade em São Petersburgo, talvez devido a vários factores, como ninguém falar inglês, o sentimento de insegurança e o facto de sentir que por vezes não éramos bem-vindos. No entanto, a cidade tem muito para oferecer ao viajante e tem locais de enorme beleza.

Após três horas num fila para comprar bilhetes para Moscovo, chegamos à capital russa de manhã cedo e o panorama era ligeiramente diferente. Não exploramos toda a sua imensidão, mas o facto de estarmos no bastião russo culminado com uma visita à praça vermelha, teve um enorme simbolismo. Moscovo está inundado de restaurantes, bares e lojas de alto luxo rodeados de segurança privada. Era normal verificar um carro de alta cilindrada com motorista privado a parar junto a um desses locais. Moscovo pareceu-me muito mais bem preparado para receber turistas do que São Petersburgo e tornou-se um pouco mais comum encontrar alguém que falasse inglês.

Muito mais haveria para contar sobre estas aventuras, principalmente da parte russa, mas o post já vai longo e tenho que recuperar desta longa viagem 🙂

A grande viagem IV – Russia

Moscovo 14h55m: pelas breves horas que ja passei na capital da Russia verifico uma diferenca estrondosa em relacao a Sao Petersburgo.

Recordo com sentimentos distintos a estadia e as aventuras na antiga Leningrado. A chegada a Sao Peterburgo, depois do excelente comboio russo onde foi feita o habitual control de passaportes, foi bastante peculiar. De facto, decorreram varios minutos ate conseguirmos sair da estacao, pois as saidas estavam todas bloqueadas.

A nossa estalagem levantava duvidas sobre os criterios de admissao na Hostelling International, pois, apesar de um hall de entrada plenamente renovado, o quarto parecia ter escapado aos esforcos de recuperacao de tao antigo edificio.

Sao Peterburgo tem o seu encanto, mas e raro encontrar alguem que fale outra lingua para alem do russo e as indicacoes estao codificadas para os nossos olhos ocidentais. Poderei dizer que alfabeto russo nao e o meu forte. Apesar disso, e impressionante como com algumas palavras de russo (trouxe algumas licoes de audio) fazem milagres. Comprar um bilhete no metro pode ser uma verdadeira aventura quando a conversa sai fora do normal. Pior experiencia e a compra de um bilhete de comboio (S.Petersburgo-Moscovo) onde as filas demoram eternidades. No nosso caso, apos termos desistido da fila da sala de bagagens onde intervalos tecnicos impossibilitavam o seu bom funcionamento, demoramos cerca de 3 horas nas bilheteiras.

O processo e tao lento e burocratico que existem pessoas que tem lugares em varias filas. Saltam de uma para a outra com a desculpa que vao por exemplo a casa de banho – diria que se chamara a mafia russa das filas.

Sao Petersburgo e uma cidade repleta de historia em todos cantos, mas foi sentimento geral que esta, nao esta preparada para receber turistas aventureiros, pelo menos por enquanto. Valeu-nos o mapa, os guias e algumas trocas de palavras num dos poucos postos de turismo da cidade. Para o futuro visitante recomendo uma visita guiada ou organizada, pois as prospeckts sao enormes e facilmente se percorrem varios kms num so dia sem dar por isso.

Moscovo parece-me diferente, mais limpo e organizado. Ja nao se respira o ar de inseguranca de Sao Petersburgo e a praca vermelha realmente impressiona.

Espero que a nossa estadia seja mais calma que em Sao Petersburgo, onde uma saida nocturna pode ser uma verdadeira aventura.