Capítulo I – Olhar para dentro

Há alguns tempos resolvi me manifestar contra algo que acredito e aproveitei para também escrever uma pergunta no topo deste blog. Reboot? Sim ou não?

A pergunta ficou pendurada durante muito tempo. Demasiado tempo talvez. Durante esse longo período, dei por mim a escrever o endereço deste espaço e tentava responder a essa mesma pergunta. Reboot? Sim ou não?

Quando a máquina deixa de funcionar e encrava ou simplesmente teima em não responder, fazemos uma série de coisas. Antes de partir para acções drásticas, tentamos carregar num botão ali, outro acolá. Experimentamos pressionar dois ou três botões ao mesmo tempo, pois há aparelhos mais modernaços onde é preciso mais elasticidade e engenho. Até chegamos a dar um pontapé ténue em desespero de causa. Quando damos conta que nada resultou sabemos que só temos uma saída. É tirar a ficha e voltar a ligar. Reboot? Sim.

Acho que estamos todos a precisar.

Segundo a escala de Geert Hofstede, um senhor que se dedicou a fazer inúmeros estudos para medir como se comporta uma sociedade, a categoria onde somos uns grandes campeões mundiais é na fuga à incerteza.

Não conseguimos lidar muito bem quando existem demasiadas incógnitas. Ficamos um pouco ansiosos e desnorteados quando nos surgem novas ideias menos ortodoxas. Existem mais países assim, e em todos os eles são criadas inúmeras regras  porque se sente que elas têm que existir (mesmo que não sejam cumpridas). Sim, gostamos de segurança. Não gostamos muito de surpresas pelo caminho, mas o que é certo é que com tanta protecção se calhar criámos um monstro.

Já não somos grandes o suficiente para acreditarmos em monstros?

O acordo ortográfico irá baixar o custo de vida?

Hoje estava a folhear um daqueles catálogos natalícios quando encontrei um produto que me era bastante familiar. Tratava-se de publicidade a um jogo de tabuleiro bastante difundido em Portugal. Nessa página existiam mais alguns jogos da mesma distribuidora e reparei que algumas capas estavam em espanhol ou mesmo em inglês.  É normal muitos dos jogos de tabuleiro à venda em Portugal (e não estou a falar do Monopólio) virem em inglês. Comecei a barafustar em silêncio sobre o porquê de não colocarem jogos em Português? Assim, com toda a certeza teriam um maior mercado, pois nem toda a gente se sente à vontade  com outras linguas. Que empresa sem visão.. pensei.

Depois da parte emocial ter adormecido comecei a racionalizar. O distribuidor quase de certeza que avaliou o custo de traduzir e fabricar os jogos em português e verificou que não iria gerar lucro. E porquê? Porque Portugal é um mercado demasiado pequeno. Não existem clientes suficientes para existir um produto feito quase de raíz (traduzir e fabricar) em português.  Podemos aplicar este caso a muitos outros:

  • – Programas  (software)
  • – Livros (mais traduzidos)
  • – Revistas (mais traduzidas)
  • – Electrodomésticos (p.e. menús)
  • … e mais um sem número de produtos onde é necessária a tradução

De facto, se a distribuidora do jogo, tivesse a sorte do acordo ortográfico já estar em vigor, muito provavelmente iria ver os seus custos de produção baixar (maior quantidade de produtos fabricados), independemente se teria acesso ou não aos outros mercados de lingua portuguesa. Consequentemente seria possível ter acesso a um produto mais barato (caso a empresa não queira aumentar os seu lucro).  Sou da opinião que o mesmo se pode aplicar a muitos mais outros produtos.

Quem olhar para Portugal após o acordo ortográfico, irá ver mais que um pequeno país com pouco mais de 10 milhões de habitantes. Será um mercado com mais de cem milhões de pessoas já bastante apetecível de entrar.

Comentário apagado

Pela primeira vez apaguei um comentário neste espaço. Tentei sempre ter uma atitude de abertura e transparência abraçando todos as visões sobre determinado tema. Trata-se de algo que estimo, pois acredito que a pluralidade da opinião das pessoas é que nos faz crescer como sociedade. A riqueza de ter pensamentos diferentes é o que nos define como espécie e faz surgir novas luzes no final do túnel. Infelizmente, hoje tive que apagar uma dessas visões.

E porque apaguei? Porque não deixei ficar simplesmente a opinião de alguém sobre determinado assunto? Acreditem que estas perguntas vieram à minha cabeça. No entanto, demorei poucos segundos a decidir mandar aquelas palavras de ódio para o lixo.

Quando se parte para ofensas com palavras indignas de aparecer em qualquer dicionário e onde a familia está envolvida, chega-se a um lugar que  não traz  nada para aquilo que valorizo, bem pelo contrário. Infelizmente parece que esta nova ordem de “comentaristas” de cocktail molotof na mão se espalha por essa internet fora como algas no lago poluído. Basta olhar para comentários de noticias como o Público ou mesmo o Record onde prolifera a indecência e o escárnio. Parece que apenas os leitores com mente tortuosa comentam.. Talvez seja um fenónemo sociológico que um dia irá virar tese de doutoramento. Por isso “Carol”, ide comentar para outro lado, ou melhor.. abstenha-se de comentar quando não acrescenta nada à discussão.

O prelúdio branco

Evoluçao desde 1975 da variação da abstenção, número de votos brancos e votos nulos em Portugal (em percentagem):

Variação (%) da evolução de votos e abstenção nas legislativas em Portugal

Evolução (%) da variação de votos e abstenção nas legislativas em Portugal

Conclusões rápidas:

  • A abstenção tem subido sempre até 2005, onde verifica pela primeira vez um decréscimo (1)
  • O número de votos brancos quase que duplicou em 2005 (2)

Nota: só existe contabilização do voto branco desde 1979

(1) – Estamos a ficar mais responsáveis socialmente? 3 milhões de pessoas que não votam.

(2) – Crescimento de 87%. São mais de 1035 37 pessoas a votar em branco. Era como se toda a cidade de Braga decidisse não colocar um cruz po algum motivo.

Realidade Alternativa – Cap. V

Capítulos anteriores:

O veículo preto da equipa Alfa disparou com uma bala deixando no ar um fumo cinzento. As marcas na neve suja deixadas pelo arranque subito destoavam com o resto do manto branco que cobria Aveiro.

– Mantenham-na estável. Reportem imediatamente qualquer alteração anormal.

A ordem surgiu via as colunas do rádio UHF que estava instalado junto à imensidão de equipamento branco espalhada pelas paredes e tecto da carrinha.  O sujeito mais magrinho do grupo, o sargento Silva debruçou-se sobre a Joana que descansava mortalmente na turbulência da viagem rápida.  A sua face embebida em sangue foi cuidadosamente limpa pelo sargento. Neste gesto altruista,  reparou que uma das partes da maca térmica estava rasgada. Levantou a cabeça assustado e observou os dados do pequeno monitor do seu lado direito.

– Comandante, 27 graus, mas… estáa descer..  e rápido.. 26.3! A maca térmica não está a funcioar. Que fazemos? Ainda falta pelo menos uma hora de viagem até ao centro de anti-elevação mais próximo.

– Sujeito em estado ascendente critico. Peço instruções.

Do outro lado do rádio UHF surgiu um silêncio momentâneo. O sargento Silva olhou para os olhos do comandante preocupado. Tinha sido informado que a missão era demasiado importante para falhar. Corriam ainda rumores dentro da equipa que obter o corpo daquela mulher seria um ponto de viragem da própria revolução.

– Dêem inicio à anti-elevação. Reportem quando estiver concluído..  Não há margem para erros.

O comandante virou-se para a equipa alfa preocupado assim que ouviu a ordem na rádio. Era impossível realizar o procedimento naquelas condições de maneira segura. Havia falta de equipamento de suporte básico de anti-elevação e o seu pessoal não estava preparado para lidar com as complicações que de certo iriam surgir.

– Ouviram o comando. De que estão à espera? Que ligue eu essa porcaria?

O sargento Silva rapidamente rapou o cabelo de Joana e cobriu a sua cabeça inerte com creme anti-elevatório. De seguida. florestou todo o seu corpo com pequenas agulhas ligadas, cada uma, por finos fios de uma mistura de ouro e cobre até um pequeno conector da máquina de suporte básico de anti-elevação.

– Dando ínicio ao procedimento.

Silva olhou para Joana, como se estivesse à espera de algum sinal de reacção. Apesar de saber que aquele tipo de pensamento era bastante absurdo,  esperava sempre que o corpo se manifestasse. Como em todas as anti-elevações que já tinha assistido e realizado, aquele corpo estava parado, inerte, frágil e morto.  Silva soltou um suspiro fundo e virou-se para o monitor maior.

– Comandante. Procedimento concluído.

– Óptimo. Qual o resultado?

– Conseguimos salvar 37 por cento das suas memórias.  Lamento.. mas receio que tudo o resto já foi elevado.

– Merda.

Devagar virou-se para o monitor principal e esperou alguns segundos. Rodou alguns botões de côr azul escura enquanto várias vultos esborratados de cinzento deslizavam pelo ecrã. Por fim, parou de maneira indecisa num vulto mais difuso.

– Doutora Joana Gomes?

O silêncio invadiu a carrinha da equipa Alfa, enquanto todas as caras escutavam atentamente a estatíca das colunas do equipamento anti-elevatório.

– Sim?

El nuevo supermercado

Na minha rotina diária da viagem de/até casa costumo reparar com alguma insistência nas diferenças diárias que surgem de uma modo inesperado.  Desde o estranho homem que resolveu colocar-se na ponta da Alameda dos Oceanos, mesmo no meio dos dois sentidos, com uma postura de braços sinaleiros a lembrar um Arnold Schwarzenegger franzido.  (Para os mais curiosos poderão passar na dita alameda entre as 18h~20h00 para observar estranho fenónemo).  Até ao colorido irritante do novo supermercado do El Corte Inglês que resolveu abrir portas hoje.

Reparei no estranho colorido de manhã, que confirmavam os rumores que circulavam na vizinhança há muito tempo. Resolvi dar uma olhada no espaço no final do dia a caminho de casa. Afinal necessitava de ir ao supermercado e o SuperCor fica mesmo a caminho.

supercor

Esta história até agora não teria merecido espaço neste meu humilde espaço, mas encontrei dentro daquele estabelecimento comercial pormenores peculiares que gostaria de registar para aqueles que dizem que “os espanhois é que sabem e espanha é que é”:

Pormenor número 1: Preços e descontos

Em vários preços de produtos se fazia referência destacada a Preço Antes e Preço Agora. Mas que raio? Mas o supermercado não abriu hoje? Como é que há preços antes? Antes de quê? De eu entrar? Antes de o supermercado abrir? Antes da tarde?

(P.S. Isto deu-me aqui uma ideia… Descontos personalizados em supermercados. O cliente entra na loja, passa o seu cartão (ex: continente, jumbo, elcorte inglês, etc.) e tem descontos personalizados em certos produtos. Vantagens: identificação do cliente com a loja/produtos, gerar perfil de clientes e agradar conforme esse prefil).

Pormenor número 2: Multibanco

Desconheço se a situação ocorreu apenas nos 15 minutos que estive na fila à espera para pagar, mas nenhuma das máquinas de pagamento por MB estava a funcionar devidamente e só devolvia erros. De um lado gritavam “É o erro 160!”, do outro os operadores de caixa comentavam “Do teu lado funciona?”. Acho que se não fosse a compreensão das pessoas, para o facto de ser o 1º dia aquilo as coisas podiam ter começado a ficar pior. Felizmente tinha dinheiro e meti-me a milhas.

Pormenor número 3: Estacionamento

Resolvam rapidamente a questão do estacionamento.  Carros estacionados com quatro piscas a assinalar “Já venho! Fui só ali ao supermercado!” em plena rotunda é que não é nada adequado.

E tudo isto porquê? Porque amanhã vou voltar ao supermercado da dona Rosa e pedir-lhe mais um conselho para um novo queijo que ela me queira recomendar. Nunca me arrependi de seguir os conselhos em relação ao queijo 🙂