Capítulo I – Olhar para dentro

Há alguns tempos resolvi me manifestar contra algo que acredito e aproveitei para também escrever uma pergunta no topo deste blog. Reboot? Sim ou não?

A pergunta ficou pendurada durante muito tempo. Demasiado tempo talvez. Durante esse longo período, dei por mim a escrever o endereço deste espaço e tentava responder a essa mesma pergunta. Reboot? Sim ou não?

Quando a máquina deixa de funcionar e encrava ou simplesmente teima em não responder, fazemos uma série de coisas. Antes de partir para acções drásticas, tentamos carregar num botão ali, outro acolá. Experimentamos pressionar dois ou três botões ao mesmo tempo, pois há aparelhos mais modernaços onde é preciso mais elasticidade e engenho. Até chegamos a dar um pontapé ténue em desespero de causa. Quando damos conta que nada resultou sabemos que só temos uma saída. É tirar a ficha e voltar a ligar. Reboot? Sim.

Acho que estamos todos a precisar.

Segundo a escala de Geert Hofstede, um senhor que se dedicou a fazer inúmeros estudos para medir como se comporta uma sociedade, a categoria onde somos uns grandes campeões mundiais é na fuga à incerteza.

Não conseguimos lidar muito bem quando existem demasiadas incógnitas. Ficamos um pouco ansiosos e desnorteados quando nos surgem novas ideias menos ortodoxas. Existem mais países assim, e em todos os eles são criadas inúmeras regras  porque se sente que elas têm que existir (mesmo que não sejam cumpridas). Sim, gostamos de segurança. Não gostamos muito de surpresas pelo caminho, mas o que é certo é que com tanta protecção se calhar criámos um monstro.

Já não somos grandes o suficiente para acreditarmos em monstros?