A cidade judiciária

Passo em frente a esta obra quase todos os dias quando me dirijo para o trabalho e verifiquei hoje uma azáfama fora do normal. Tinha conhecimento que a inauguração oficial estava para breve e suspeitei que não iria tardar. Hoje inaugura-se o complexo de edíficios localizado no Parque das Nações que tem o objectivo de reunir cerca de 2400 trabalhadores que outrora estavam distribuídos por 21 locais em Lisboa.

Cidade Judiciária

Cidade Judiciária

Não é necessário ser um visionário para imaginar como um edifício destes pode ter impacto nesta parte da cidade com todos os seus trabalhadores e as inúmeras pessoas que o visitam (por bem ou por mal).  Tendo o “a abarrotar” centro comercial Vasco da Gama como vizinho próximo, o pequeno comércio afastado anteriormente pelas elevadas rendas praticadas, ressurgiu e arrebatou vários espaços como papelarias, alguns restaurantes e pastelarias.

É com bastante agrado que vejo lojas anteriormente vazias a serem preenchidas com vários tipos de serviços, mas a sua maioria é de facto ligada à restauração. No entanto, preocupa-me o crescente e elevado número de carros que circulam nas vias de acesso a este local.  Presumo que a futura estação de metro de Moscavide resolva parte desse problema. Quando se projecta algo com cerca de 5000 lugares de estacionamento, as pessoas estão à espera de ver carros.. muitos carros.

Apesar de muitos defeitos que lhe queiram apontar, o facto é que este espaço pretende dar melhores condições aos trabalhadores da justiça e aos cidadãos que a procuram. Não compreendo por isso esta birra de alguns magistrados do Tribunal da Boa Hora de não aparecerem na inauguração:

“improvisada, mal estruturada e disfuncional”, não tendo “sequer a dimensão suficiente para acolher os cidadãos que visa servir”

Aliás, não sabia que um juíz também era versado em urbanismo e arquitectura. Veremos se o tempo lhes dá razão. Para quem estava no Tribunal de Boa Hora e se queixava das faltas de condições há algum tempo atrás é de estranhar estas afirmações.

“Não só as condições de trabalho, mas também as condições de atendimento ao público são prestadas em condições de grande carência. Existem problemas ao nível das instalações sanitárias, mas também ao nível dos espaços de espera, nas salas de julgamento e em vários espaços públicos do edifício”

Mas afinal em que ficamos? Se realmente querem ficar no Tribunal da Boa Hora ou noutro qualquer falem condignamente. Não acho que a melhor abordagem seja a de birrice e não aparecer na festinha para beber um copo com os amigos. Sejam um verdadeiro orgão de soberania e façam chegar as vossas preocupações a quem de direito.

Crédito da imagem: Às voltas com a fotografia – Mafalda B.

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