Realidade Alternativa – Capitulo III

A música que soava no rádio do automóvel fazia lembrar os longíquos anos, onde o calor do Sol ainda alimentava tudo o que era vida no planeta.  Num ritmo frenético Gomes percorria as estradas até à sua cidade natal esperançoso que a resposta finalmente fosse desvendada. As temperaturas negativas daquela noite eram combatidas com o sistema de aquecimento do carro ligado ao máximo. A viatura era bastante antiga, longe dos sistemas modernos que percorriam as grandes auto-estradas que ligavam a capital de Portugal, Faro, ao resto do país.  O sul de Portugal era a única região que não tinha sido afectada pelo avançar do gelo ártico e existiam enormes vias de comunicação que rasgavam todo o Alentejo.  O Norte fora engolido por gelo há inúmeros anos e  grandes cidades como Porto ou Vila Real encontravam-se agora quase desertas.

A melodia antiga que insistia em fazer-se ouvir através do rádio, oscilava rapidamente ao som das curvas  e foi de repente que algum sinal de civilização apareceu, fazendo com que Gomes abrandasse.

– Em casa. Finalmente…

Gomes dirigiu-se ao centro da cidade sombria enquanto a neve que caía obrigava a que o ruído ritmado dos limpa pára-brisas não desaparecesse. Estacionou o carro, desligou o rádio e sentiu-se aliviado. Desviou o olhar para cima. O segundo andar do sétimo prédio mais alto de Aveiro, era o único que naquela altura emanava alguma luz. Gomes saiu do carro apavorado, bracejando e gritando o mais alto que podia.

– Joanaaaaaaaaaaaaa!

Quando abriu a porta do apartamento que ocupava todo o segundo andar do sétimo prédio mais alto de Aveiro,  deparou-se com a visão que mais temia. Joana estava estendida no chão, vestida de sangue e coberta de dezenas de folhas soltas brancas.  Gomes correu para abraçar o corpo na inerte  esperança de aliviar o desespero que lhe corria nas veias, artérias e toda a demais articulação e nervo.

– Fala comigo Joana! Joana!

Quando a morte, com o seu pequeno alfinete, invade a pequena bolha de amor que une duas pessoas não leva apenas uma, mas duas.  O embate de perder alguém tão querido era algo que Gomes não podia suportar. Lutando para recuperar a sua Joana,  não se apercebeu que há muito ela tinha viajado para outro lado.

6 thoughts on “Realidade Alternativa – Capitulo III

  1. Ora bem…

    Não querendo fazer de “revisor”, julgo que no final do segundo parágrafo, onde se lê “abranda-se”, deveria ler-se (neste caso, escrever-se) “abrandasse”, não te parece?

    Já quanto a “parabrisas” vamos deixar alguma liberdade criativa ao autor.

    Abraço!
    Nuno

    P.S: De gralhas como “algum luz” estás, obviamente, perdoado.

  2. Pingback: Realidade alternativa - Cap. IV « Pedro Claro

  3. Pingback: Realidade Alternativa - Cap. V « Pedro Claro

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