Happy Xmas

E porque o tempo corre e já é Natal outra vez…

Funchal - Madeira

Funchal - Madeira (fonte)

Um feliz natal a todos os visitantes deste espaço.

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El nuevo supermercado

Na minha rotina diária da viagem de/até casa costumo reparar com alguma insistência nas diferenças diárias que surgem de uma modo inesperado.  Desde o estranho homem que resolveu colocar-se na ponta da Alameda dos Oceanos, mesmo no meio dos dois sentidos, com uma postura de braços sinaleiros a lembrar um Arnold Schwarzenegger franzido.  (Para os mais curiosos poderão passar na dita alameda entre as 18h~20h00 para observar estranho fenónemo).  Até ao colorido irritante do novo supermercado do El Corte Inglês que resolveu abrir portas hoje.

Reparei no estranho colorido de manhã, que confirmavam os rumores que circulavam na vizinhança há muito tempo. Resolvi dar uma olhada no espaço no final do dia a caminho de casa. Afinal necessitava de ir ao supermercado e o SuperCor fica mesmo a caminho.

supercor

Esta história até agora não teria merecido espaço neste meu humilde espaço, mas encontrei dentro daquele estabelecimento comercial pormenores peculiares que gostaria de registar para aqueles que dizem que “os espanhois é que sabem e espanha é que é”:

Pormenor número 1: Preços e descontos

Em vários preços de produtos se fazia referência destacada a Preço Antes e Preço Agora. Mas que raio? Mas o supermercado não abriu hoje? Como é que há preços antes? Antes de quê? De eu entrar? Antes de o supermercado abrir? Antes da tarde?

(P.S. Isto deu-me aqui uma ideia… Descontos personalizados em supermercados. O cliente entra na loja, passa o seu cartão (ex: continente, jumbo, elcorte inglês, etc.) e tem descontos personalizados em certos produtos. Vantagens: identificação do cliente com a loja/produtos, gerar perfil de clientes e agradar conforme esse prefil).

Pormenor número 2: Multibanco

Desconheço se a situação ocorreu apenas nos 15 minutos que estive na fila à espera para pagar, mas nenhuma das máquinas de pagamento por MB estava a funcionar devidamente e só devolvia erros. De um lado gritavam “É o erro 160!”, do outro os operadores de caixa comentavam “Do teu lado funciona?”. Acho que se não fosse a compreensão das pessoas, para o facto de ser o 1º dia aquilo as coisas podiam ter começado a ficar pior. Felizmente tinha dinheiro e meti-me a milhas.

Pormenor número 3: Estacionamento

Resolvam rapidamente a questão do estacionamento.  Carros estacionados com quatro piscas a assinalar “Já venho! Fui só ali ao supermercado!” em plena rotunda é que não é nada adequado.

E tudo isto porquê? Porque amanhã vou voltar ao supermercado da dona Rosa e pedir-lhe mais um conselho para um novo queijo que ela me queira recomendar. Nunca me arrependi de seguir os conselhos em relação ao queijo 🙂

O ser português e a avaliação…

…dos professores, dos advogados, dos engenheiros, dos médicos, dos economistas, dos mecânicos, dos dentistas, dos canalizadores, dos controladores aéreos, dos … o que mais a imaginação se conseguir recordar. Mas sendo este um tema corrente, nada melhor do que virar especialista como todos os portugueses são quando um tema causa polémica e faz manchete em tudo o que é jornal. É um facto incontestável! Apesar de pouco ou nada sabermos do tema, a não ser aquilo o que a comunicação social vomita cá para fora, viramos “experts” na matéria, verdadeiros doutorados no assunto, e conseguimos rapidamente apresentar uma solução fantástica que resolve todos os problemas. Afinal, somos portugueses e isto é uma das coisas que fazemos bem: apontar o dedo, encontrar defeitos e apresentar soluções milagrosas.

Não me entendam mal eu não o considero um defeito mas sim uma qualidade extrema e rara na sociedade mundial de hoje em dia. Somos uns verdadeiros ases em pegar num mapa incompleto e apontar o caminho a seguir. Por vezes fico a pensar como é que os receptores GPS têm tanta adesão no mercado luso. Não se entende, os portugueses não necessitam de orientação.

A natureza do nosso povo e esta qualidade natural leva a que facilmente sejamos manipuláveis. Basta aparecerem duas ou três notícias sobre o crime organizado num dia e no outro, na rua não se fala de outra coisa. Os dedos saem do bolso e disparam em vários culpados. Um português no topo, levado pelo mapa incompleto do crime organizado, apresenta soluções rápidas que embatem nas inúmeras outras ideias que circulavam na opinão pública.  O problema é remendado com um penso rápido. Ninguém mais fala do assunto até que algo aconteça.

No início deste artigo queria falar da avaliação dos professores, agora não tenho coragem para fornecer um penso rápido à solução depois do que escrevi. Consigo encontrar soluções é um facto, tal como os inúmeros portugueses que pensaram um pouco no assunto. Mas pensando bem, acho que apenas estou como sempre e como quase todos… mal informado e manipulado pela comunicação social.

Porque no final de tudo, apesar dos vários canais, jornais, rádios, o tempo de antena é sempre ocupado pelos mesmos, as visões de cada um tornam-se rotineiras, não existem novos rumos e tudo parece ser discutido dentro de um grupo de amigos…

Realidade Alternativa – Capítulo II

O Instituto de Consciência ficava localizado na parte mais remota da imaginação de qualquer pessoa.  Apesar de ser imensamente povoado, com um tráfego constante de cientistas, engenheiros e por vezes pessoas ligadas a ciências ocultas, o local escolhido pelo governo não poderia ter sido o mais solitário e pior para o doutor Gomes.  Habitava no complexo dois a vários andares abaixo do solo gelado e deserto. Partilhava o quarto com o seu colega e melhor amigo, mas sentia falta do amor da sua vida e da sua filha,  As poucas vezes que estava com elas era quando o Instituto o libertava do seu importante trabalho. Várias eram as ocasiões em que passavam meses antes de ver os olhos azuis das suas duas mulheres, como gostava de lhes chamar perante os amigos.

– Gomes, tens contigo o relatório neuronal da paciente que entrou ontem à noite?

Acordou do pensamento alegre que absorvia todos os seus neurónios. Desde Setembro que não abraçava as suas duas mulheres,  mas o presente de Natal que comprou iria compensar a sua ausência. Faltavam apenas três dias para a época do ano em que o Instituto de Consciência não colocava qualquer barreira em libertar os seus mais inteligentes e proeminentes cientistas para junto das suas famílias.

– Está no ficheiro da reduzida probabilidade na pasta dos 27 graus.  Queres que te ajude? Este é complicado, entrou ontem em fase de elevação. Acho que não iremos conseguir salvar tudo.

– Eu trato disto, Gomes. Vou levá-lo para baixo, afinal lembra-me a minha tia. Vou tratá-la como tal.Temos autorização da familia?

– Err… Ainda…

O telemóvel interrompeu a resposta certa deixando no ar o som de um antigo êxito musical, fazendo com que os vários vultos brancos que circulavam na sala enorme e cinzenta, centrassem a sua atenção em tão estridente toque. Alguns até esboçavam um sorriso, outros abanavam-se numa tentativa inóqua de dançar. Os espelhos que rodeavam a sala reflecitam a situação rídicula enquanto uma luz branca abraçava cada cara e cada indíviduo. Fantasmas de bata branca que se agarravam ao mundo em raras visitas.

Gomes atendeu a chamada.

– Joana? Sabes que não me podes telefonar a esta hora. Espero que seja mesmo importante.

– Oh Alberto! E um “Olá, como estás”? Não te parecia melhor? De qualquer maneira, isto é urgente!. Encontrei-o. O meu avô levou-me ao caminho certo. Finalmente! Não é uma óptima notícia?

Gomes deixou cair o telemóvel aterrorizado com o que ouvia da sua amada de olhos azuis. Não era possível imaginar cenário tão assustador. Tinham passado tantos anos e agora, tão perto da verdade, esta inspirava-lhe medo.  O aparelho desmembrado ainda soltava vozes, Gomes, gentilmente apanhou-o do mármore cinzento:

– Vou já a caminho querida. Não abras antes de eu chegar.

Desligou. Virou-se para o Tomás, o seu melhor amigo:

– Esquece a tua pseudo-tia. Vai buscar o ficheiro do avô da Joana e envia-mo para o e-mail. Necessito de todos os detalhes sobre a sua morte. Telefono-te quando chegar a Aveiro.