Realidade Alternativa – Capítulo I

Quando Joana olhou para dentro daquele armário nunca pensou em escavar tristezas tão antigas. Procurava aquilo que não queria encontrar, mas as palavras que soavam ao longe espremiam a sua curiosidade, fazendo-a transbordar para níveis enlouquecedores. As gavetas saltavam no ar já esvaziadas do seu conteúdo e caíam no chão à medida que os lugares de esconderijo diminuiam.

Pegou numa peça de roupa enrolada e atirou com força para a imagem da outra sala que se transformava de maneira absurda. Apeteceu-lhe gritar, mas por respeito, lançou a pergunta calmamente: – Avô, não o consegui encontrar. Procurei dentro do armário e não vejo nada. Onde diabo está?

A velha imagem oscilou por momentos, denotando alguma perturbação pelo desenrolar da demanda.    -Procura melhor Joana.  Eu recordo-me desse armário e tenho a certeza que o coloquei nesse lugar.

O armário estava despido.  Excluíndo qualquer esconderijo digno de um filme norte-americano não havia qualquer hipótese de existirem mais segredos. – Desisto avô.  Não encontro, talvez a tua memória esteja com algum defeito.

– A minha memória poderá não estar como outrora, lembra-te que tudo não foi perfeito. Mas tens que o encontrar.

Joana voltou as costas para a imagem com um ar de desalento, acordou as memórias mais antigas que tinha do seu avô enquanto este era vivo e real e pegou no comando.

– Desculpa avô. Vou procurar melhor, mas preciso de o fazer sozinha.

Premiu o botão e a imagem desapareceu.

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Surf no Sofá

Já há bastante tempo que tinha ouvido falar do Couchsurfing. Na grande viagem pelo norte da Europa até tentamos experimentar o sistema em Helsínquia. Não tivemos grande sorte, pois o pedido foi mesmo à última hora. No entanto, o conceito é bastante simples.

No site do Couchsurfing existem inúmeros membros espalhados pelo mundo inteiro que partilham a sua casa com outras pessoas temporiamente (alguns dias). Ou seja, colocam o seu sofá à disposição de viajantes e partilham experiências, ajudam a conhecer a cidade e os seus truques. E o mais importante em si, é possível conhecer pessoas extraordinárias, com vivências tão diferentes e conhecer várias histórias de locais que só ouvimos falar. Outro facto extraordinário é que as comunidades locais são bastante activas. É bastante fácil encontrar um jantar, uma saída de copos ou uma festa enorme como que aí vem (Lisbon Invites You: mais de 250 pessoas de todo o mundo em Lisboa – tudo couchsurfers).

Há pouco resolvi me inscrever a sério, leia-se colocar uma foto, descrever a minha localização, por aí adiante. Mal dei por mim, já tinha um mexicano e uma francesa cá em casa! Foi uma experiência muito enriquecedora e que apela ao nosso sentido de confiar no próximo. Tive a oportunidade de dar um giro por Lisboa à noite, onde, para além de uns copos nos sitíos do costume, mostrei a nossa bela capital pintada de luzes extraordinárias.

O Couchsurfing não é emprestar o nosso sofá. É muito mais que isso.  Não há por aí mais nenhuns novos membros?