Capítulo I – Olhar para dentro

Há alguns tempos resolvi me manifestar contra algo que acredito e aproveitei para também escrever uma pergunta no topo deste blog. Reboot? Sim ou não?

A pergunta ficou pendurada durante muito tempo. Demasiado tempo talvez. Durante esse longo período, dei por mim a escrever o endereço deste espaço e tentava responder a essa mesma pergunta. Reboot? Sim ou não?

Quando a máquina deixa de funcionar e encrava ou simplesmente teima em não responder, fazemos uma série de coisas. Antes de partir para acções drásticas, tentamos carregar num botão ali, outro acolá. Experimentamos pressionar dois ou três botões ao mesmo tempo, pois há aparelhos mais modernaços onde é preciso mais elasticidade e engenho. Até chegamos a dar um pontapé ténue em desespero de causa. Quando damos conta que nada resultou sabemos que só temos uma saída. É tirar a ficha e voltar a ligar. Reboot? Sim.

Acho que estamos todos a precisar.

Segundo a escala de Geert Hofstede, um senhor que se dedicou a fazer inúmeros estudos para medir como se comporta uma sociedade, a categoria onde somos uns grandes campeões mundiais é na fuga à incerteza.

Não conseguimos lidar muito bem quando existem demasiadas incógnitas. Ficamos um pouco ansiosos e desnorteados quando nos surgem novas ideias menos ortodoxas. Existem mais países assim, e em todos os eles são criadas inúmeras regras  porque se sente que elas têm que existir (mesmo que não sejam cumpridas). Sim, gostamos de segurança. Não gostamos muito de surpresas pelo caminho, mas o que é certo é que com tanta protecção se calhar criámos um monstro.

Já não somos grandes o suficiente para acreditarmos em monstros?

Rebooting – Lei da Cópia Privada

Desde que surgiu a discussão no seio das redes sociais, com mais expressão no twitter, a revolta perante o projecto Lei da Cópia Privada não pára de aumentar.

Este projecto é um atentando à sociedade da informação e um travão certo ao nosso crescimento. Se este pl118 for aprovado, cada um de nós, sempre que adquirir armazenamento digital, leia-se pens, telemóveis, discos duros, etc pagará uma taxa adicional por gigabyte. Ora, à velocidade que aumenta a capacidade de armazenamento , a taxa promete tomar valores exorbitantes (lembram-se que ainda há uns bons anos atrás usávamos disquetes com com 1.44 Megas),

Esta taxa irá direitinha para a sociedade portuguesa de autores, que aparenta ser de tudo menos de autores. Recentemente, divulgaram 100 assinaturas de artistas que apoiam este projecto lei. No entanto, vários artistas vieram negar o seu apoio e não percebem como é que os seus nomes estão na lista.

Nick Gentry

Eu acredito que grande parte da mudança que observamos à nossa volta, apela a uma ainda maior mudança interior. Trata-se de acreditar que são necessárias pequenas vitórias para fazer evoluir um sistema rodeado de desconfiança e descrédito. Um pequeno passo para essa mudança será por exemplo assinar esta petição e sentir que podemos fazer alguma diferença de modo organizado e como nos permitem.

A petição contra a Lei da Cópia pirata, ao contrário de muitas petições espalhadas neste “pequeno mundo online à beira mar plantado”, foi construída com o objectivo de realmente ser entregue e discutida. Neste momento, já vai com 3657 assinaturas e subir..

A pergunta é simples. queres que te vão mais ao bolso ou resolves fazer alguma coisa?

Assinar petição contra a Lei da Cópia Privada

Sobre o projecto lei da cópia privada

Blog em standby

Resolvi dedicar algum tempo a outro projecto online, numa vertente mais profissional. Assim, as actualizações neste pequeno espaço estão a ficar cada vez menos frequentes. O leitor curioso poderá dar uma vista de olhos pelo Mobile Grid, um side-project que ainda está dar os primeiros passos.

A loja não encerra, nem entra em balanço, apenas sofreu um layoff temporário.

SMAG – Desafio #1:Barco no Mondego

A ideia surgiu há bastante tempo e foi amadurecendo devagar. No entanto, cedo verficámos que passar de ideias para a prática não é tão simples como se pode assumir ao primeiro pensamento.  Fartos de idealizar partimos para a acção para não desmorecer e conseguimos criar uma pequena landing page modesta e estamos a adaptar o Ning para servir o nosso propósito. Criámos o projecto SMAG.

No Sábado partimos para o piloto…. [ler mais]

A pequena aldeia – II

Sinopse: Lá longe da civilização moderna, no meio de uma floresta extensa enfiada entre umas altas montanhas existia uma aldeia onde habitava uma tribo de indigenas. Tinha pouco mais de quinhentos habitantes e as transações comerciais na aldeia eram realizadas com pequenas conchas raras que eram dificilmente encontradas ao longo do leito do rio e existiam alguns problemas sociais e de planeamento da sua população. Numa busca de resolver os problemas que daí derivaram, recorreu-se ao empréstimo de conchas de aldeias vizinhas. Conchas essas que mais tarde os vizinhos exigiram devolução… A aldeia tinha um grave problema para resolver.

O conselho da aldeia reuniu-se para analisar a delicada situação durante vários dias fechado dentro de uma grandiosa casa de palha. Por fim, saiu o chefe da aldeia e chamou toda a população para os informar das más notícias.

– Amigos e amigas, a aldeia do norte  exigiu-nos de volta as conchas que nos haviam emprestado. A situação é aborrecida pois não temos muitas conchas. No entanto, o nosso grandioso conselho conseguiu negociar com os nossos irmãos. Acordamos em devolver as conchas de lua cheia em lua cheia, em pequenas partess. No entanto, disseram  que não nos emprestam mais nenhuma.

As conchas eram bastante raras e difíceis de arranjar. A população atenta logo perguntou como iria arranjar conchas para se governar no dia a dia e fazer as suas compras habituais, como comprar uns coelhos ou umas lebres.

Amigos, não se preocupem. O nosso grandioso conselho conseguiu negociar com os outros nossos irmãos da aldeia do sul. Estes emprestam-nos muitas conchas que também que teremos de devolver a dobrar, por partes, de lua cheia em lua cheia.

Os indígenas aplaudiram o seu chefe contentes. Parecia uma óptima solução pois podiam continuar como sempre. Os caçadores já não caçavam, os agricultores já não cultivavam e as cabanas floresciam por haver tanta gente a querer um sitio para viver. As pessoas viviam melhor pois os cereais, carne e peixe vinham das aldeias vizinhas por poucas conchas.  Após os aplausos o chefe, com uma voz mais séria, acrescentou:

– No entanto amigos, para conseguirmos devolver as conchas às aldeias vizinhas, por cada troca que fizerem o conselho de aldeões terá que ficar com 3 conchas por cada 1 que gastarem.  Não se preocupem! Fizemos as contas, e tudo ficará como sempre.

De pé, os indígenas aplaudiram mais uma vez o conselho dos chefes, pois só eles tinham estas ideias sensatas e audazes. Sempre foi assim ao longo dos tempos e sempre será. E também porque lhes garantiram que tudo ficará bem como sempre.

Poucos dias passsaram depois das boas notícias e pela aldeia fora ouviam-se conversas de índigenas que já não tinham conchas para comprar alguma comida. Alguns até emprestavam conchas a outros e exemplificavam o conselho de aldeões pedindo o dobro de lua cheia em lua cheia por partes.

Cedo o conselho se apercebeu que as conchas escasseavam. E apressou-se a fazer outro acordo com outra aldeia vizinha. Quando as conchas teimavam em desaparecer ou era a aldeia ao lado ou a do outro lado da montanha ou a que demonstra-se mais disposição de emprestar conchas.

Por fim, acabaram-se os vizinhos para negociar.

Ainda continuo a pensar o que será que aconteceu à aldeia…

O Outono vai ser mais quente que o Verão

Segundo os especialistas do Público,  este Verão tem um nível muito elevado de risco de incêndio. Mas espera-nos um Outono ainda mais quente, a cimeira da Nato está a chegar onde se ira discutir o novo conceito estratégico. Será em Lisboa em Novembro e a julgar pela violência da última cimeira em Estrasburgo, Lisboa vai estar em estado de sitio.

Acho que vou marcar uns dias de férias estratégicos…

Update: E o Obama também dá cá um saltinho

Tomem lá umas barritas de ouro

Esta história do rating da Standard & Poor’s que olhou para o que andamos a fazer com o dinheiro emprestado e para a nossa capacidade de pagar, fez-me lembrar a história da aldeia que já por aqui contei. Nesta aldeia podia-se comprar tudo e mais alguma coisa recorrendo a conchas (algo real). Hoje em dia as coisas não são bem assim e o que interessa é mesmo a dívida. A dívida gera e vale dinheiro.  (Para quem tiver mais interesse neste assunto sugiro ver os filmes do Money as Debt e o mais recente Money as Debt II)

Existem pessoas que defendem que deveríamos retornar ao standard das reservas de ouro. Ou seja, cada país só conseguiria emitir dinheiro conforme as suas reservas do metal precioso. E nós Portugal, temos ouro? Temos e até é um número de barritas engraçado. Somos o 14º país com maior quantidade de reservas no mundo, com umas belas 382.5 toneladas. Arrumamos Espanha,Reino Unido, Canadá, Brasil a um canto e estamos bem à frente dos tais gregos.

Então, somos ricos?

@ Boston The Picture

Claro! Temos que fazer umas contas, sabendo que uma tonela de ouro são 32 000 onças e que a a dita cuja está hoje 1168$/oz e convertendo para euros:

Portugal – 10,9 mil milhões de euros

Espanha – 8,0 mil milhões de euros

Grécia – 3.2 mil milhões de euros

Vá, agora ide colocar o rating de Portugal no máximo que a gente manda umas barritas.