O homem fala muito, mas muita gente não o pode ouvir simplesmente por isso, fala muito e muito e não diz nada. Para além de condenar o acto de tentativa de agressão, não posso de deixar estranho que se parta logo para uma conclusão simples: Rui Santos sofreu uma (tentativa?) de agressão por causa e/ou por alguém ligado ao futebol.
Segundo declarações à Renascença: Durante o confronto físico, os três encapuzados não falaram, pelo que o jornalista desconhece as suas motivações e de que clube são adeptos, na certeza que confia nas autoridades.
Segundo a RTP: Rui Santos, segundo o qual foi atacado por três indivíduos, encapuçados e armados de barrotes, que não lhe disseram “absolutamente nada” sobre as suas motivações.
Gostei da excelente cobertura de vários orgãos de comunicação social, e resolvi dissecar as frases e factos que vieram a público para tentar perceber o que realmente se passou.
Segundo a RR existiu confronto físico, e a RTP acrescenta que Rui Santos foi atacado por três indivíduos. A SIC em comunicado condena a agressão (?) a Rui Santos:
“A SIC condena o incidente ocorrido na noite de Domingo com o nosso comentador Rui Santos. O caso foi imediatamente participado à PSP e os agressores, bem como a viatura em que se deslocavam, estão a ser identificados através do nosso sistema de vigilância com o fim de serem processados criminalmente. “
Então podemos concluir que o jornalista foi atacado ferozmente com uns barrotes, certo?
Errado. Vejamos mais abaixo as declarações à RTP:
“Entrei no carro e não o consegui trancar. Um indivíduo tentou agredir-me. Não o conseguiu, porque coloquei o corpo de lado para dentro do carro e pontapeei o agressor com toda a força.”
Em declarações ao SOL:
«Não me deixaram fechar a porta, mas tiveram dificuldade em agredir-me porque eu afastei-os com vários pontapés e não me conseguiram tirar do carro»
Mas pontapeeou o agressor com toda a força? Mas que agressor? Eu acho que a única pessoa que realmente foi agredida no meio disto tudo foi o homem do barrote que levou um valente pontapé com toda a força.
Acho interessante a parte onde é referido que não lhe disseram “absolutamente nada” sobre as suas motivações.
Se os indivíduos não disseram nada sobre as suas motivações como se partem para conclusões como estas:
Durante o confronto físico, os três encapuzados não falaram, pelo que o jornalista desconhece as suas motivações e de que clube são adeptos
Este país está a ficar perigoso, mas irei até ao fim, em nome da liberdade de expressão. Farei tudo para não ser um novo caso Bexiga
Que culmina no comunicado da SIC:
Este caso vem mostrar, uma vez mais, a profunda intolerância que algumas pessoas ligadas ao futebol continuam a ter face à crítica livre, a que, pelos vistos, continuam a não estar habituados.
Não será partir para uma conclusão demasiado depressa sem analisar factos?
Nota:
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