Esta história do rating da Standard & Poor’s que olhou para o que andamos a fazer com o dinheiro emprestado e para a nossa capacidade de pagar, fez-me lembrar a história da aldeia que já por aqui contei. Nesta aldeia podia-se comprar tudo e mais alguma coisa recorrendo a conchas (algo real). Hoje em dia as coisas não são bem assim e o que interessa é mesmo a dívida. A dívida gera e vale dinheiro. (Para quem tiver mais interesse neste assunto sugiro ver os filmes do Money as Debt e o mais recente Money as Debt II)
Existem pessoas que defendem que deveríamos retornar ao standard das reservas de ouro. Ou seja, cada país só conseguiria emitir dinheiro conforme as suas reservas do metal precioso. E nós Portugal, temos ouro? Temos e até é um número de barritas engraçado. Somos o 14º país com maior quantidade de reservas no mundo, com umas belas 382.5 toneladas. Arrumamos Espanha,Reino Unido, Canadá, Brasil a um canto e estamos bem à frente dos tais gregos.
Então, somos ricos?
Claro! Temos que fazer umas contas, sabendo que uma tonela de ouro são 32 000 onças e que a a dita cuja está hoje 1168$/oz e convertendo para euros:
Portugal – 10,9 mil milhões de euros
Espanha – 8,0 mil milhões de euros
Grécia – 3.2 mil milhões de euros
Vá, agora ide colocar o rating de Portugal no máximo que a gente manda umas barritas.

Meu caro,
«cada país só conseguiria emitir dinheiro conforme as suas reservas do metal precioso.»
Pois aí é que está o busílis.
É que desde que aderimos ao Euro acabou a possibilidade de emiti-lo unilateralmente. Caso fosse como antigamente a velha receita já era conhecida, a saber, desvalorização da moeda (injectando o tal dinheiro)e “siga a banda”, isto é: diminuição do valor real dos salários, taxa de inflação e de juros a subir por aí fora e a coisa a prazo ia ao sítio.
Agora a receita vai ser mais dolorosa e, para nossa infelicidade, demorada…
Acho que os nossos “golden days” acabaram e logo agora que temos o nosso pior Primeiro-Ministro de sempre (o Santana não conta, claro).
Abraço!